Contigo nunca me perco, perdendo-me ! (Ricardo Santos)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1931, Rua Infantaria 16, 92-94

Em 1931 foi premiado um edifício situado na Rua de Infantaria 16, 92-94, da autoria dos arquitectos Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970) e António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985) para o pintor Manuel Roque Gameiro. Construção modernista, que não reuniu a unanimidade do júri, sofreu alterações na sua estrutura em 1957, com o acréscimo de dois pisos, que tornaram o edifício premiado irreconhecível.

Destina-se ainda a habitação. O edifício foi adulterado e foram acrescentados dois andares em relação ao projecto original, em 1957. Situa-se em Campo de Ourique, na Rua Infantaria 16, Nº. 92-94.

Como mero “curioso” de arquitectura, lamento não entender como é que um edifício destes, consegue um Prémio Valmor, como distinção. O edifício encontra-se com a “cara lavada” vítima de pintura exterior recente.


Arquitecto António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985):

Natural de Ançã (Coimbra), conclui o curso de Arquitectura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1927, tendo no 3.º e 4.º anos do Curso Especial recebido o prémio só conferido ao aluno com mais de 16 valores em todas as Cadeiras, pelo menos 18 numa e média superior à de todos os mais alunos desse ano. São desta época dois projectos, uma entrada monumental de um Panteão duma grande metrópole e uma campo santo que a revista “Arquitectura”, N.º 11/Ano I/1927 arquivou nas suas páginas.
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Obteve o Prémio Valmor de 1931, conjuntamente com o Arq.º Miguel Simões Jacobety Rosa, pelo edifício construído na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94. Respeitante aos anos de 1942 e 1945, receberia ainda o Prémio Valmor pelos prédios construídos, respectivamente, na Rua da Imprensa, N.ºs 25-25-D e na Av. Sidónio Pais, N.º 14.

Arquitecto Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970):

Natural de Alcobaç, era diplomado em Arquitectura Civil, desde 1926, pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, a cuja Associação Académica pertenceu, e possuía o curso da Escola Normal para o ensino de Desenho Exacto e Construção Arquitectónica. Foi professor provisório da Escola Industrial Marquês de Pombal, no ano lectivo de 1928-29 e agregado efectivo na Escola Industrial Fradesso da Silveira, em Portalegre, de 1929 a 1938.
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Foi autor de várias pousadas na província, entre elas, a de Santa Luzia (Elvas), Santiago do Cacém e São Brás de Alportel.
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Em conjunto com o Arq.º António Maria Veloso dos Reis Camelo obteve o Prémio Valmor de 1931 pela construção do edifício situado na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94.


In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM

Outros acontecimentos nesta década:

Anos 30 – Construção da Alameda Afonso Henriques e Bairro Azul;
1930 – Cinema Eden, do arquitecto Cassiano Branco;
1934 – Casa da Moeda, de Jorge Segurado;
1934 - Hotel Vitória, de Cassiano Branco;
1934 - Elaboração de novo projecto para a criação do Parque Florestal de Monsanto;
1935 – Lisboa estende-se já até Algés, Poço do Bispo, Ajuda, Campolide, Benfica, Carnide, Lumiar e Areeiro.
1937 – Projectos dos bairros de habitação económica da Ajuda da autoria de Paulino Montês;
1937 - Café Portugal, de Cristino da Silva;
1938/40 – Cinema Cinearte, de Rodrigues Lima;
1938/43 – Praça do Areeiro, do arquitecto Luís Cristino da Silva;
1938/43 - Plano “De Gröer”;
1939/45 – Segunda Guerra Mundial.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à sexta fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 13-01-2015 com o Prémio Valmor de 1938, na Avenida de Berna e na Avenida Marquês de Tomar, a Igreja Nossa Senhora Fátima, arquitectada por Porfírio Pardal Monteiro. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Os Festivais das Canções (1995)

Euro Festival 1995, em 13 de Maio, Dublin (Irlanda).

1º. Secret Garden (1995) - Nocturne


2º. Anabel Conde (16-06-1975) - Vuelve Conmigo


3º. Jan Johansen (09-01-1966) - Se på mig


Festival RTP da Canção de 1995, em 7 de Março. Cinema Tivoli, Lisboa.

1º. Tó Cruz (09-07-1967) - Baunilha e Chocolate


2º. Ana Isabel (??-??-19xx) - Tanto Amor Tanto Mar


3º. Teresa Brito (??-??-19xx) - Plural


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Khadafi - Interacção Humorística (CXXXIII)

Em 25-08-2011. Obrigado.

Apanhar o Khadafi

Qual a maneira mais fácil de apanhar o Khadafi ?

Basta o Benfica mostrar-se interessado que o Porto vai logo buscá-lo!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Tomás Pimentel – Groups & Soloists of Jazz (XX)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Tomás Pimentel (1960 – 20xx) – É um músico de Jazz Português, que nasceu em Lisboa em 1960, descendente de uma família de músicos. Começou por estudar piano e só mais tarde se decidiu pelo trompete. Tirou o curso de “Educação Musical e Composição”, na Escola de Música do Conservatório de Lisboa.

Ouviremos aqui trabalhos, do álbum “Descolagem” de 1994, com o seu “Septeto”, com Tomás Pmentel (fliscorne), Jorge Reis (saxofones alto e soprano), Edgar Caramelo (saxofone tenor), António Pinto (guitarras), João Paulo Esteves da Silva (piano), Mário Franco (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria).

Raíz


Pastiche


Três Uma Vez


Arde o Mar

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

2º. Desafio Musical (III)

Os vencedores são:

Afrodite, Rui, Lis, Luisa e Janita. A Catarina e a Teresa participaram e acertaram em metade, mas não terminaram o desafio. Obrigado a todos pela participação.

1ª. Vocal


Intérpretes: Secos e Molhados
Composição: Sangue Latino
Ano:1973

Lembro-me perfeitamente da polémica da altura. Todos, ou quase todos pensavam que a voz era de uma mulher e na realidade era de Ney de Souza Pereira que um pouco mais tarde, viria a tornar-se um dos melhores intérpretes da MPB. Ney Matogrosso é um intérprete genial.


Secos e Molhados:
Ney Matogrosso (vocais); João Ricardo (vocais, violão e harmónica) e  Gérson Conrad (vocais e violão).

Por erro meu, a versão que está aqui gravada no meu video, não é a mesma do álbum original “Secos e Molhados” de 1973.

Aqui numa gravação a partir da Televisão Brasileira TV Tupi, possivelmente da altura em que a música foi editada:


Sangue Latino

Jurei mentiras
E sigo sozinho
Assumo os pecados
Uh! Uh! Uh! Uh!

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Uh! Uh! Uh! Uh!
Minh'alma cativa

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo

E o que me importa
É não estar vencido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa

2ª. Vocal


Composição: Roda
Compositor: Gilberto Gil, João Augusto
Álbum: Look Around
Ano: 1968 (Março)

Sérgio Mendes e Brasil 66:

Sérgio Mendes (piano, orgão e orquestração); John  Pisano (guitarra); Bob Matthews (baixo e vocais); José Soares (percussão e vocais); João Palma (bateria); Lani Hall e Janis Hansen (vocais, as duas mulheres que cantam !); Dave Grusin e Dick Hazard (orquestradores), desconhecido (baixo, cordas. Referenciado  mesmo como desconhecido na capa do CD, que tenho).

Roda

Meu povo, preste atenção
Na roda que eu te fiz
Quero mostrar a quem vem
Aquilo que o povo diz

Posso falar, pois eu sei
Eu tiro os outros por mim
Quando almoço, não janto
E quando canto assim

Agora vou divertir
Agora vou começar
Quero ver quem vai sair
Quero ver quem vai ficar
Não é obrigado a me ouvir
Quem não quiser escutar

Quem tem dinheiro no mundo
Quanto mais tem, quer ganhar
E a gente que não tem nada
Fica pior do que está

Seu moço, tenha vergonha
Acabe a descaração
Deixe o dinheiro do pobre
E roube outro ladrão

Agora vou divertir
Agora vou prosseguir
Quero ver quem vai ficar
Quero ver quem vai sair
Não é obrigado a escutar
Quem não quiser me ouvir

Se morre o rico e o pobre
Enterre o rico e eu
Quero ver quem que separa
O pó do rico do meu

Se lá embaixo há igualdade
Aqui em cima há-de haver
Quem quer ser mais do que eu
Um dia há-de sofrer

Agora vou divertir
Agora vou prosseguir
Quero ver quem vai ficar
Quero ver quem vai sair
Não é obrigado a escutar
Quem não quiser me ouvir

Agora vou terminar
Agora vou discorrer
Quem sabe tudo e diz logo
Fica sem nada a dizer

Quero ver quem vai voltar
Quero ver quem vai fugir
Quero ver quem vai ficar
Quero ver quem vai trair

Por isso eu fecho essa roda
A roda que eu te fiz
A roda que é do povo
Onde se diz o que um diz

sábado, 20 de dezembro de 2014

2º. Desafio Musical (II)

Começamos hoje, dia 20-12-2014, com reedição a 23-12-2014 às 24:00. Têm três dias completos e duas composições para descobrir, e são ambas vocais.

Comentário NÃO moderados. Dêem “dicas”, não dêem as soluções, por favor !!!

Respostas para o meu endereço de “mail” ricardosantos1953@gmail.com.

Como são ambas vocais e fáceis, não há dicas minhas !. Digo somente que a primeira fez furor e polémica quando foi editada na década de 70, e a segunda é de um compositor que dedicou, e dedica, a sua vida há muitos anos à música.


Perguntas:

Quem canta/toca ?
De que música se trata ?
Quem compôs ?
Nome do álbum ?
E em que ano foi lançado ?

Vocal I

  

Vocal II

  

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

2º. Desafio Musical (I)

O 2º. Desafio Musical começa dia 20, pelas 00:00. Desta vez é dedicado aos nossos Amigos e Bloguistas do outro lado do Atlântico, pelas composições escolhidas. Tentem adivinhá-las !

Aproveito este pequeno "post" para vos presentear com uma mensagem de um músico português que foi criada em 2010 e que publiquei no meu antigo Blogue.
É uma mensagem com uma música muito agradável “Last Christmas”, dos “Wham” e de George Michael, aqui interpretada pelo David Fonseca.

Boas Festas para todos Vós que por aqui passam e que por aqui comentam. Desejo-vos um Feliz Natal e um Novo Ano de 2015 com tudo o de melhor, para Todos.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Jazz Standards (CXXVIII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

(Sobre o tema em questão, algumas palavras retiradas de “in
http://www.jazzstandards.com/compositions/index.htm” - adaptação e tradução por Ricardo Santos)

Softly As in a Morning Sunrise (#132) - Música de Sigmund Romberg e Letra de Oscar Hammerstein II
Sigmund Romberg escreveu a música e Oscar Hammerstein II escreveu a letra, desta composição, para o musical de “New Moon”, que estreou em New York no teatro “Imperial” em 19 de Setembro de 1928. O actor Robert Halliday cantou a canção, pela primeira vez, no espectáculo. Outra canção do musical, "Lover, Come Back to Me", foi gravada por vários artistas e teve três versões nas tabelas de vendas em 1929. "Softly As in a Morning Sunrise" não se saíu tão bem, com apenas uma de gravação :

Nat Shilkret e a sua orquestra (como “The Troubadors”) em 1929, Franklin Baur (vocal) subiu ao Nº. 5.

A apresentação de "Softly As in a Morning Sunrise" em “New Moon” foi mais no estilo de uma ária de ópera, que parece ter impedido a sua adaptação pelkas orquestras de dança, da altura. Curiosamente, nenhum dos dois grandes sucessos "Softly As in a Morning Sunrise" e "Lover, Come Back to Me" estavam na produção original que estreou em Cleveland. O espectáculo fracassou e nos cinco meses seguintes, os dois compositores surgiram com as duas composições que seriam dois grandes sucessos.

Chet Baker (Yale, Oklahoma, EUA, 23-12-1929 – Amsterdão, Holanda, 13-05-1988) – Em 1979. Com Wolfgang Lackerschmid (vibrafone).


Hiromi Uehara (Hamamatsu, Shizuoka, Japão, 28-03-1979 - 20xx) – No Tokyo Jazz Festival 2008, Japão.


Modern Jazz Quartet (1952 - 1992) - Milt Jackson (vibrafone), John Lewis (piano), Percy Heath (contrabaixo) e Connie Kay (bateria), no “Alexandra Palace”, em Londres, decorria o ano 1982, e durante o “Capital Radio Jazz Festival”.


Bing Crosby (Tacoma, Washington, EUA, 03-05-1903 — Madrid, Espanha, 14-11-1977)


Letra

Softly as in a morning sunrise
The light of love comes stealing
Into a newborn day
Flaming with all the glow of sunrise
A burning kiss is sealing
A vow that all betray
For the passions that thrill love
And take you high to heaven
Are the passions that kill love
And let it fall to hell
So ends the story
Softly as in a morning sunrise
The light that gave you glory
Will take it all away
Softly as in a morning sunrise
The light of love comes stealing
Into a newborn day
Flaming with all the glow of sunrise
A burning kiss is sealing
A vow that all betray
For the passions that thrill love
And take you high to heaven
Are the passions that kill love
And let it fall to hell
So ends the story
Softly as in a morning sunrise
The light that gave you glory
Will take it all away
Softly as it fades away
Softly as it fades away
Softly as it fades away
Softly as it fades away

Lamento, algumas eventuais falhas nas letras, encontradas na Internet, devido à própria improvisação dada pelos seus intérpretes, e muitas vezes de difícil entendimento. (Ricardo Santos)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Carmen de Georges Bizet

Ópera, o porquê !?…

O meu Pai foi, sem dúvida, o causador de eu gostar de ópera. Durante a minha juventude, iniciou-me a ouvir música dita “erudita” e deu-me a conhecer algumas das grandes obras, de grandes compositores.
Pelos anos 70, ainda patrocinada pela FNAT, posterior INATEL, havia em Lisboa, uma temporada anual de ópera, levada à cena no Teatro da Trindade e interpretada por cantores portugueses. Essa temporada, frequentei-a durante alguns anos, com os meus pais.
Para quem nunca ouviu ópera, posso dizer que é diferente de tudo o resto, e nesta diferença com qualidade é que está o nosso ganho. É como o jazz, ou outro género musical, deve-se ouvir com atenção, tentar entender, e não ouvir só para distrair. Não sejamos superficiais. É aquele fugir à rotina que vos venho falando desde o início deste blogue e do anterior blogue, a procura do diferente.
Não foi com "Carmen" que me estreei a ouvir ópera (foi com o "Barbeiro de Sevilha" de Giacomo Rossini), mas penso que "Carmen" é uma muito melhor escolha, para nos iniciarmos neste género musical.
Explicar-vos tecnicamente, o que é este género musical, ou o que são, os tenores, os sopranos, os barítonos e os baixos, não vou ter essa veleidade. Sou um mero melómano, curioso, como muitos de vocês, e infelizmente não tenho suficientes conhecimentos musicais para esse tipo de explicação técnica.
No entanto, sei que as vozes masculinas se dividem em tenores (vozes mais agudas), barítonos (vozes intermédias) e baixos (vozes mais graves). As vozes femininas dividem-se, em sopranos (vozes mais agudas) e meio-sopranos e/ou contraltos (vozes mais graves). Depois entre cada tipo de voz existem subdivisões, por exemplo, os tenores podem ser líricos, dramáticos, absolutos, ou os sopranos podem ser líricos e dramáticos, os baixos podem ser “bufos”, etc.. E fiquemos por aqui.
  

Resumo da história desta Ópera

Conta a vida dos contrabandistas, em dada região da Andaluzia (ano de 1820), das cigarreiras e de Carmen, uma cigana e operária, que faz com que um militar das brigadas dos Dragões de Almanza, D. José, se apaixone por ela e deserte à sua vida militar. D. José, cego de amor, acaba por se juntar aos contrabandistas. Mas, Carmen, é uma mulher leviana e apaixona-se por Escamillo, um "espada" (toureiro). O ex-militar destroçado com tamanha leviandade e após ter desgraçado a sua vida pessoal, pelo amor que lhe tinha, apunhala-a no peito, perto da entrada, da Praça de Touros, onde Escamillo, , após a sua actuação, está a ser aclamado pela multidão.

Personagens de Carmen

D. José, (brigadas dos Dragões de Almanza)….........Tenor
Escamillo, “Espada” de Granada…………………….   Barítono
Dancairo, (contrabandista)……………………………..Tenor
Remendado, (contrabandista)…………………………Tenor             
Zúñiga, (capitão do regimento dos Dragões)…......... Baixo 
Morales, (brigadas)……………………………………...Barítono
Carmen, (cigana)………………………………………...Meio-Soprano
Micaela, (camponesa)…………………………………..Soprano
Frasquita, (companheira de Carmen)…………….......Soprano
Mercedes, (companheira de Carmen)…………….......Soprano

Do autor Georges Bizet, … (excertos)

Sobrinho de uma pianista de mérito – Madame Delsarte – e filho de um professor de canto, nasceu em Paris a 25 de Outubro de 1838 e foi registado com o nome de Alexandre César Leopoldo Bizet, mas como o padrinho, velho e dedicado amigo da família, tivesse preferido que ele se chamasse Jorge, adoptou mais tarde esse nome, como nome artístico.
Após ter escrito “Pescadores de Pérolas” (1863), “La Jolie Fille de Perth” (1867) e “Djamileh” (1872) que foram acolhidas com frieza pela imprensa da altura, que o deixou muito desgostoso, Bizet afastou-se da cena musical. Nessa altura Leão Cavallo (1825-1897) que estava à testa dos destinos do Teatro Lírico em França, logrou convencê-lo a escrever a música de cena (prelúdios, intermédios, danças e coros) para a ópera “A Arlesiana” de Afonso Daudet (1840-1897). A estreia dessa ópera causou um enorme sucesso e deu outro ânimo a Georges Bizet que decidiu meter ombros à empresa de musicar um “libreto” que Henrique Meilhac (1832-1897) e Ludovic Havély – sobrinho do compositor com o mesmo apelido – (1834-1908), haviam extraído da célebre novela Carmen, de Próspero Merimée (1803-1870). Subiu pela primeira vez à cena em 3 de Março de 1875.
A crítica foi fria e hostil, “enterrando” a ópera Carmen de Bizet, com excepção do “Journal des Débats”, onde Ernesto Reyer entrevia a verdade. Um dos críticos da época Óscar Comettant (1819-1898), na publicação “Siécle”, foi ao ponto de escrever: “Bizet já não tem nada que aprender do que se ensina, mas, infelizmente, tem grande necessidade de adivinhar o que não é ensinável”.
Quanto eles estavam todos errados, com excepção de Ernesto Reyer.
Três meses mais tarde, a 3 de Junho de 1875, Bizet falecia, inesperadamente, nos arredores de Paris, em Bougival. Tinha 36 anos. Não se sabe ao certo de que morreu. Embolia, crise cardíaca ou de reabsorção purulenta, filha de algum abcesso na garganta, já que Bizet sofrera toda a sua vida de anginas. No entanto, sempre se associou a sua morte, às críticas constantes e aos insucessos da sua obra musical.

Texto extraído e adaptado de:
Colecção "Ópera", Volume 11, Direcção Mário de Sampayo Ribeiro, Editor Manuel B. Calarrão, Lisboa, Fevereiro de 1947,  Preço 4$00.

Alguns dos trechos musicais escolhidos por mim, para ouvirem, estão cronologicamente dispostos pela sua aparição em cena, desde a abertura da peça, até à ária final, onde D. José assassina a sua amada Carmen e se entrega aos militares.
No entanto, eles são apenas um pequeno exemplo, visto que esta obra é grande e rica. É um espectáculo com cerca de 2 horas e meia, de exibição. A última vez que o presenciei, foi há dois anos, no Teatro Nacional de São Carlos, numa excelente encenação.
Para terminar, aconselhar-vos-ia, se algum dia a ópera Carmen (1875) do compositor francês Georges Bizet (1838 – 1875), estiver, de novo, em exibição em Lisboa, nalguns dos pouquíssimos teatros desta cidade, aproveitem e vão ver. É um espectáculo extraordinário de colorido, com canto e bailados, extremamente agradável de ver e ouvir. Garanto-vos que não vão deitar dinheiro à rua.
Não existindo essa possibilidade importantíssima de a ver ao vivo, existem muitos DVD's, com variadas versões (www.amazon.fr). Em baixo uma delas:


Trechos Musicais

Abertura da Carmen, Orquestra “The Royal Opera House”, dirigida por  Zubin Metha, no teatro “Covent  Garden”, em Londres, a 1 de Janeiro de 1991.


Coro das crianças de rua com “The Georgia Boy Choir”. Em 23 de Abril de 2010, no “Rialto Center for the Arts”, em Atlanta, EUA.


“Habanera”, também conhecida como “L'amour est un oiseau rebelle” (O amor é um pássaro rebelde). Carmen com Francesca Zambello (Meio Soprano),


“Parlez-moi de ma Mére” (Fala-me da minha Mãe), dueto entre Don Jose e Micaela. Don Jose com Placido Domingo (Tenor), Micaela com Faith Esham (Soprano).


“Seguidila”. Carmen com Elena Obraztsova (Meio-Soprano) e Don Jose com Placido Domingo (Tenor). Em 9 de Dezembro de 1978.


“Toreador”. Escamillo com David Holloway (Barítono).


Quinteto “Nous avons en tête une afaire” (Temos um negócio para realizar). Carmen com Teresa Berganza (Meio-Soprano), Frasquita com Daniele Perriers (Soprano), Mercedes com Jane Berbie (Soprano), Dancairo com Michel Philippe (Tenor) e Remendado Michel Senechal (Tenor). Em 14 de Maio de 1980.    


“La fleur que tu m’avais jetée” (A flor que me atiraste ). Don Jose com Robert Alagna (Tenor). Em Julho de 2004.


Dueto da morte de Carmen. Carmen com Rinat Shaham (Meio-Soprano), Don Jose com  Roberto Alagna  (Tenor). Em 7 de Julho de 2013.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Prémio Valmor, Ano de 1929, Avenida 5 Outubro 207-215

Em 1929 o Prémio Valmor foi para uma moradia unifamiliar pertencente a Félix Lopes e cujo projectista foi Pardal Monteiro. Esta moradia situa-se na Av. 5 de Outubro, 209-215 e utilizava uma linguagem de formas “arte deco” e foi considerado “um belo exemplar da arquitectura moderna, impondo-se pelo equilíbrio das suas proporções, pela harmonia da sua decoração”. Bem conservada, a moradia tem as duas garagens adaptadas a uma repartição.

Encontra-se do lado direito da Avenida 5 de Outubro, para quem vai do lado de Entrecampos em direcção ao Marquês de Pombal/Praça Duque de Saldanha. É o primeiro edifício a seguir à ponte ferroviária e fica junto ao estacionamento que vulgarmente serve para o Hospital Curry Cabral. É um edifício bem grande e exuberante.

Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957):

“Natural de Montelavar (Sintra), e então também musando o nome de Porfírio Pedro Monteiro, tinha 17 anos quando frequentava o primeiro ano do Curso da Arquitectura Civil da Escola de Belas-Artes, concluindo-o em 1918. Tirocinou com Ventura Terra, do qual foi discípulo estimado. O período dos anos 20 a 40 é de grande produção de «atelier» e se corresponde, por um lado, ao dos seus Prémios Valmor, também terá o Instituto Superior Técnico (1927), a Estação do Cais do Sodré (1928), o Instituto Nacional de Estatística (1931-35). Quando da inauguração da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a revista “Arquitectos”, do Sindicato Nacional dos Arquitectos, N.º 6/Agosto-Outubro de 1938, dedicou-lhe uma expressiva local, a págs. 182; o mesmo sucedeu com o edifício do «Diário de Notícias», no N.º 13, de Maio-Junho de 1940, do referido orgão sindical. Participou na Exposição do Mundo Português com o Pavilhão dos Descobrimentos.
...
Obteve o Prémio Valmor correspondente aos anos de 1923, 1928, 1929, 1938 e 1940 com as seguintes edificações situadas na Av da República, N.ºs 49-49-D; Calçada de Santo Amaro, Nº. 83-85; Av. Cinco de Outubro, N.ºs 207-215; Av. Marquês de Tomar (Igreja N.ª S.ª de Fátima) e Av. da Liberdade, N.ºs 266-266-A (Sede do «Diário de Notícias»).
Recebria também , respeitante a 1930, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Av. da República, N.º 54, infelizmente já desaparecido.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

*http://www.priberam.pt/dlpo/sic
*sic |síque| (palavra latina) Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = ASSIM
Outros acontecimentos nesta década:

1920 – Início das obras no Bairro Social da Ajuda;
1924 – Teatro Tivoli, Raul Lino;
1925 – Primeiro Salão de Outono da Sociedade de Belas-Artes;
1926 – Bristol Club e Pavilhão de Rádio do Instituto de Oncologia, Carlos Ramos;
1926 - Cinema Capitólio, Cristino da Silva;
1927/35 – Instituto Superior Técnico, Pardal Monteiro;
1928 – Estação do Cais do Sodré, Pardal Monteiro;
1928 - Stand Rios de Oliveira, Cassiano Branco.

A seguir à imagem do Google MAP, e da segunda à décia quarta fotografia são referentes a 2008, daí em diante são de 2013.


Próxima publicação dia 16-12-2014 com o Prémio Valmor de 1931, Rua Infantaria 16 92-94, e arquitectada por Miguel Simões Jacobetty Rosa & António Maria Veloso dos Reis Camelo. Pertença de manuel Roque Gameiro, teve alteraçºoes estruturais em 1957. Lamento dizê-lo, mas não entendo a atribuição deste prémio a tal construção.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Duas composições dos álbuns mais vendidos (XVIII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

CAN, Celine Dion, “My Heart Will Go On” e “When I Need You”, Let's Talk About Love, 18/11/1997, Pop

Editado 18-11-1997, um dos álbuns de maior sucesso de todos os tempos, e por indicação do “Guiness Book of World Records” com vendas de cerca de 31 milhões de unidades. Mais um canadiano importantíssimo no panorama musical mundial, a excelente intérprete Celine Dion.

My Heart Will Go On (James Horner, Will Jennings)


When I Need You (Albert Hammond, Carole Bayer Sager)

sábado, 6 de dezembro de 2014

Lou Rawls – Jazz Singers (XXVIII)

(Dados Biográficos In Wikipédia e/ou In AllMusic.Com - Todos os excertos das biografias foram adaptados e algumas vezes traduzidos por Ricardo Santos)

Louis Allen Rawls, (Chicago, Illinois, EUA, 01-12-1933 – Los Angeles, EUA, 06-01-2006) – Foi um cantor norte-americano de “Jazz”, “Blues” e “Soul”. Publicou mais de 70 álbuns e participou em flmes e espectáculos televisivos. Montou conjuntamente com Sam Cooke, o seu colega de classe, o grupo de música evangélica “Teenage Kings of Harmony”, durante a década de 50. Rawls alistou-se no exército norte-americano em 1955. Em 1958, sofreu um sério acidente automobilístico e permaneceu em coma, durante cinco dias e meio. O acidente fez com que ele levasse vários meses para recuperar a memória e mais de um ano até que se recuperasse totalmente.
Lou Rawls faz parte de um grupo de grandes artistas norte-americanos que foram consagrados pelo grande público, com uma adesão absoluta às suas canções que cairam no gosto popular e com as suas composições definiram a musicalidade dos anos 70 em diante. O “jazz”, “soul”, “gospel” e “disco” são estilos que marcam a bem sucedida carreira, que o coloca entre os principais artistas norte-americanos dos últimos tempos. O cantor era conhecido pela sua voz grave e aveludada e um dos seus sucessos mais conhecidos foi "You'll Never Find Another Love Like Mine", de 1976.
Lou Rawls morreu de cancro dos pulmões, em Los Angeles, aos 72 anos.

You'll Never Find Another Love Like Mine


Stormy Day, com Lou Rawls (voz), Stanley Turrentine (saxofone), Les McCann (piano), Curtis Robertson (baixo eléctrico) e Curtis Alan Sharrod Jr. (bateria).
“Mt. Fuji Jazz Festival” com a participação da editora “Blue Note”.


Lady Love, ao vivo no “North Sea Jazz Festival”.


See You When I Get There, ao vivo no “North Sea Jazz Festival”.